segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O Carnaval Imaginário


Há muito tempo tenho preguiça de pular Carnaval, até porque não tenho uma alegria tão explosiva para contagiar a multidão. Minha alegria é diluída durante o ano e é mais homeopática, servindo para suportar as dificuldades que a vida apresenta a todos - uns mais, outros menos. Gosto de ver a alegria dos outros, as cores das fantasias e o lado mais bem humorado, com o pessoal chutando o balde, fazendo graça e beijando na boca. Já a porrada não me atrai fora dos ringues, onde os lutadores estão ganhando a vida e as injustiças são minimizadas com categorias de peso e regras. Até aí, tudo bem. Nada de novo no front. Mas na década de 80 existia um Carnaval Imaginário, uma espécie de Papai Noel e Coelhinho da Páscoa, que acontecia no Rio de Janeiro e era transmitido pela TV Manchete e pela Band. Rolava muita liberalidade sexual e eu pensava que os bailes que eu frequentava eram um retiro espiritual, em comparação com os do Rio. Aí, a idade é senhora da Razão e eu descobri que na verdade o pessoal que era liberal naquela dose era contratado, profissionais do sexo que faziam parte de uma encenação feita para as câmeras para movimentar dinheiro de patrocinadores e atrair turistas. A liberalidade sexual existia lá, como existe aqui também, mas é mais discreta e reservada. Porém, aquele Carnaval Imaginário despertava a fantasia de que existia em algum lugar "A Grande Bacanal" e que só não tinha rolado convite para mim. E, sendo honesto, ela existe, mas foi do Rio de Janeiro para Brasília. Nossa política é o verdadeiro Carnaval.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A volta dos que não foram

Caríssimos, o blog vai voltar a funcionar de forma bissexta e irregular, quando tiver assunto. Quando for micropostagem, será feita no twitter @soconofigo.

Lá teremos microliteratura e microbobagens.

Aqui teremos mesoliteratura e mesobobagens.

Para macroliteratura, tem livro novo prestes a sair, desta vez sobre Psicologia, mas voltado ao público leigo.

Para macrobobagens, agende pessoalmente. Um abraço para quem ficou esperando!

domingo, 26 de agosto de 2012

Pausa para reflexão

Estou há quatro anos postando aqui no blog Soco no Figo. Inicialmente as postagens se davam em dias alternados, até que progressivamente caminharam para um ritmo menos regular e mais lento. Por fim, tentei manter ao menos duas postagens mensais. Na blogosfera, se você não atualizar o conteúdo com certa frequência, seu blog acaba caindo no esquecimento. O objetivo inicial era ter uma vitrine para alguns textos, de modo a divulgar meus livros. Depois abriu-se a possibilidade de dialogar com leitores e conhecer pessoas com interesses semelhantes. Agora é hora de parar para refletir se o blog fica do jeito que está  para leituras retrospectivas, se continuarei atualizando ou se sofrerá modificações. Atualmente, além de outras obrigações profissionais, estou pesquisando para escrever um romance. No único mês que passou sem postagens (coincidentemente o de Agosto) um leitor ficou preocupado, com receio de que eu estivesse em outro plano cósmico. Então fica dito que estou vivo, apenas em uma pausa.  Divirtam-se com as postagens antigas, enquanto isso. Abraços.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O leão diário


É preciso ter muita coragem para representar o Brasil no esporte. Tirando o futebol, que paga aos atletas de elite verdadeiras fortunas, a realidade costuma ser muito diferente: vidas sacrificadas, dificuldades em obter patrocínio, pouco intercâmbio, difícil acesso a treinamento de ponta. Quando o camarada leva um tombo, perde um jogo ou não se classifica, ainda tem que suportar desaforos dos jornalistas e da torcida, manchetes com termos ofensivos (fiasco, fracasso, vexame), como se algum de nós tivesse de algum modo patrocinado aquelas pessoas. Já disse aqui antes: perder é a regra, ganhar é a exceção. Essa mentalidade egocêntrica, que nega ao outro o direito de vencer de vez em quando, só se justifica em crianças pequenas, ainda incapazes de se colocar no lugar do outro. Queria ver só se os judocas ficassem assistindo aos vendedores e dizendo: “Josimar deu vexame nas vendas desse mês e não atingiu as metas!” Ou os ginastas acompanhando os advogados e declarando: “fiasco da Dra. Ronivalda na ação de alimentos”. Você pode argumentar que os outros profissionais não estão representando o Brasil. Pois eu digo que é pior: eles são o Brasil.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Cadernos de viagem – o Porto dos ancestrais


Faz tempo que não menciono minha viagem a Portugal e Espanha, mas arrumar as malas traz este registros à memória. Continuando a postagem de 30 de abril de 2011, cidade do Porto. Tomei um pequeno almoço (café-da-manhã) saboroso, porém sem extravagâncias no Hotel Malaposta. Parti em busca da estação rodoviária para garantir meu bilhete para Mogadouro, de modo a não perder a cerimônia de premiação. Para variar um pouco, perdi-me na cidade, mas por fim encontrei o terminal da Rodonorte. Bilhete comprado, fui para o tour no autocarro (ônibus) turístico. O joelho começou a incomodar e eu suspeitei que estava macumbado, mas foi temporário. A manhã era chuvosa e o mar estava de ressaca, mas achei bela a cidade, com suas igrejas e azulejos. Passei pela torre do Clérigos, pela Igreja das Carmelitas e outras edificações de valor histórico e arquitetônico, ouvindo uma bela música que achei equivocadamente que fosse Madredeus, depois quis reencontrar e não pude. Desci perto da Igreja de São Francisco, que achei muito bonita, e fiquei pensando no nosso ouro, que passou de Portugal à Inglaterra. Desci às catacumbas em busca de algum ancestral perdido, mas aparentemente não eram tão abastados. Dali fui ao Grémio dos Leitões, onde comi feito um rei (um rei gordo, evidentemente): uma entrada de pequenas porções de polvo, tripas e orelhas de porco, acompanhadas de pão. Como prato principal, uma porção de leitão acompanhada de meia garrafa de vinho Sarmentinho tinto. Encontrei brasileiros pela cidade e me recomendaram que experimentasse uma “francesinha”, sanduíche típico da cidade. Fiz novamente o tour no autocarro, parei perto da estação ferroviária e tentei mandar um e-mail para os familiares, mas Portugal está cheia de imigrantes que mal falam o idioma e prestam serviços de péssima qualidade. Tá certo, os caras precisam sobreviver, mas é uma complicação para quem precisa ser cliente. A tal da lan house era simplesmente inoperante, uma vez que a banda não cobria o número de usuários. Paguei o tempo mínimo e fui embora dali, caminhando em direção à Igreja de Santa Clara, que estava fechada antes do horário previsto. Sim, os hábitos brasileiros não se formaram do nada. Não cheguei a parar nas vinícolas em Vila Nova de Gaia, tampouco a beber um vinho do Porto (aquele enriquecido, afinal todos de lá seriam teoricamente do Porto, embora fabricados na cidade vizinha). Como a igreja estava fechada, aproveitei que estava perto e fiz uma visita à Universidade Lusófona do Porto, identificando-me como Professor de Psicologia. Fui muito bem tratado e saí de lá com alguns prospectos da Universidade. No fim da tarde, o joelho voltou a reclamar e as longas caminhadas provocaram assaduras. Comprei uma pomada que, segundo a bula, era especial para “o rabinho do bebê”. Aparentemente, também era adequada às partes internas das coxas dos adultos e curou-me rapidamente. Descobri uns sebos nas cercanias do hotel e aproveitei para adquirir um livro de Trindade Coelho e outro sobre o Algarve. Fui abençoado com um estômago de aço e o leitão não me causou nenhum revertério. Porém, à noite eu comprei umas frutas e suco abstendo-me de orgias gastronômicas – pelo menos até o dia seguinte.

sábado, 16 de junho de 2012

Os prós e contras da Eurocopa


Aqui estão dois grupos de mulheres se manifestando acerca da Eurocopa. O grupo de cima é contra porque aumenta o índice de exploração sexual das mulheres. O grupo de baixo é a favor porque aumenta a renda da exploração econômica dos homens. Pela marcante diferença de conduta entre os dois grupos, acho que fica um recado bem claro: quando tem futebol na jogada, é preciso apelar para que os homens lhe deem atenção.

sábado, 2 de junho de 2012

Rotos e esfarrapados

No Brasil, não vale muito a sua conduta, mas sim o seu carisma e a sua cara-de-pau. Vejam o exemplo dos Ronaldos: o fenômeno fez de conta que ia pro Flamengo, deu uma guinada de mercenário e foi para o Corinthians, virando corintiano desde criancinha. O gaúcho fez a mesma coisa em relação a Grêmio e Flamengo. O fenômeno não conseguiu entrar em forma ou jogar bem em função de hábitos incompatíveis com vida de atleta. Idem para o gaúcho. O fenômeno ganhou um estadual jogando parado em campo, depois foi eliminado de uma Libertadores. Idem para o gaúcho. Só que o fenômeno é amigo do Ricardo Teixeira, agencia jogadores, chora na TV depois que faz alguma besteira (como a dos travecos), alega problemas endocrinológicos para não conseguir entrar em forma, enquanto o gaúcho fica quieto, levando sua vida de baladeiro e processando o Flamengo por ser um clube que finge que paga, conforme já disse o Vampeta. Aí você olha o Demóstenes, o Jefferson, o Calheiros, o Collor, todos se alternando no papel de mocinhos e bandidos, todos com o rabo preso e o telhado de vidro, todas as CPI até hoje já vistas terminando em pizza ou em renúncia aos 44 do segundo tempo e fica claro que o Brasil é um grande circo onde os palhaços somos nós, que ficamos passivos na plateia.

 
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